"Como é evidentemente muito dificil escrever a verdade, no interesse dela eu me permiti às vezes ir um pouco além ou ficar um pouco aquém."

Robert Capa (1913 - 1954)

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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Deutschland

Acordamos cedo na segunda, dia 17, e fomos caminhar por Düsseldorf. Em 2003 fiquei um mês por aqui tentando aprender alemão. A ideia era ficar o dia todo na região da Altstadt (cidade velha) onde ficam os bares, o rio Reno, entre outras atrações.
Iniciamos caminhando pela Königsallee, avenida mais elegante, e já caímos direto na Altstadt. É aqui que fica a maior mesa de bar do mundo, pois são tantos bares um do lado do outro que dizem que elas se unem. Todos os bares focados em vender o tipo de cerveja local, que só tem aqui, e que é de chorar de tão boa! Praticamente um alimento! Ela se chama Altbier, tem uma cor mais escura e sabor único. Tomei algumas no bar mais famoso, chamado Uerige! Düsseldorf e Köln (Colônia), que fica a 30 minutos, são cidades "rivais" e rola um grenal forte nas cervejas entre a Altbier x Kölsch (cerveja de Colônia)!
Durante à tarde subimos na torre de TV que possui um restaurante giratório lá no topo e dá uma volta completa por dia. O resto do dia foi caminhar na beira do Reno, uma Altbier, fotos, descanso nas escadas, outra Altbier, até anoitecer quando voltamos para o hotel. Quem vem para a Alemanha e gosta de cerveja, venha para Düsseldorf!





Na terça pegamos o trem às 6:51 para Berlim! Sem troca, mas com 11 paradas! Frouxo! Chegamos por volta do meio dia num calor de 28 graus (que nos acompanhou por todos os dias) e fomos direto para o Apto que alugamos pelo AirBnB. Bem mais em conta que hotel. Ele fica na Prenzlauer Allee, um pouco afastado, mas com metro ao lado. Zona bem residencial.
Como fomos a vários lugares e não tem uma história interessante para contar, vou listar os lugares visitados com proveitosas e às vezes acaloradas observações. Lá vai:
- Alexanderplatz: nada demais, só a Torre, restaurantes e gente a dá com pau;
- Unter den Linden: avenida do caralho, mas com muita obra. O que pode ser bom, certamente na Alemanha as obras ficam prontas;
- Portão de Brandenburg: do caralho também! Reagan falou na frente dele e do muro em 1987: "Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall". Lugar histórico!
- Tier Garten: Parque dos animais em alemão! Antigamente a família real passeava com os animais nele. Hoje apenas uma baita área verde no meio de Berlim;
- Reichtag: entramos e fomos até a cúpula. Vista interessante, mas não imperdível.
- Monumento ao Holocausto: tenso e muito fotogênico;
- Potsdamer Platz: no tempo do muro não tinha nada, agora o capitalismo tomou conta.




Führerbunker: apenas uma placa de onde acham que era o bunker do Hitler;
- Topographie des Terrors: vale a visita! Tenso também!
- Checkpoint Charlie: local clássico, também tem muita história. Algumas exposições na volta que ajudam a entender o que aconteceu alí;
- Gendarmenmarkt: uma praça, uma ópera bonita e dois Doms. Sem mais;
- Gedächtniskirche: famosa igreja destruída e não reconstruída. Capa do meu livro de alemão;
- Bikini Berlin: na frente da igreja. Se denominam o primeiro shopping conceitual do mundo. Bem, no coments!
- Olympia Stadium: o Führer esteve alí nas Olimpíadas de 1936 e viu um negro americano passar por cima da raça ariana dele. Talvez naquele lugar, em pé e puto da cara, ele decidiu ir ao ataque. Por que não? Ah...e lá também o Zidane cabeceou o Materazzi! 
- Ilha dos Museus: Perdão vô Riosi, mas não entramos no museus! Mas a Ilha e os prédios são bem legais!



- East Side Gallery: fantástico! Desenhos clássicos num muro que tem muita história! Inacreditável como um regime conseguiu construir e sustentar um muro dividindo uma cidade e famílias por 28 anos! Assustador e lamentável!
- Orla do Rio Spree: wunderdar como dizem aqui! Sensacional! Num dia bonito todo mundo sentado na grama, bares cheios, areia para simular uma praia, biquinizinhos, músicos de rua, bebinhas,... Baita curtição! Caminhamos da Hauptbahnhof (estação principal) até a ilha dos Museus! Exemplo de como aproveitar uma beira de rio!




E assim nos despedimos de Berlim! Baita cidade, ainda mais com tempo bom! Amanhã cedo juntamos as coisas e partimos para Copenhagem!!

domingo, 16 de setembro de 2018

België

Partimos de Amsterdam às 8:22 com destino a Antwerpen, a Cidade dos Diamantes. Também conhecida como Anvers pelos francófonos. Meu pai morou lá nos anos de 1991 e 1992 e eu, minha irmã e minha mãe passamos 3 meses.
Agora um pouco de história: um boato forte diz que o nome de Antwerpen veio da lenda do gigante Druon Antigoon que morava perto do Rio Escalda. Ele cobrava um pedágio para atravessar o rio e quem não pagasse, ele cortava uma das mãos e a atirava no rio. Até surgir o jovem herói Silvius "Le Coq" Brabo, que matou o gigante, cortou a mão e a atirou nas águas. Daí surgiu o nome da cidade "Arremessador de mãos". Parabéns ao Brabo!
Além de famosa por ter recebido a família Rios, Antwerpen também é conhecida por ter sido sede das Olimpíadas de 1920, a qual o Brasil ganhou a sua primeira medalha ouro, e por ser a cidade que o pintor Peter Paul Rubens morou boa parte de sua vida.
Chegamos por volta das 10:30 e fomos caminhando da estação (muito bonita) até o nosso Ibis pela Meir, principal rua da cidade. Largamos as malas, encontramos meus pais e fomos para a Groenplatz, entramos na Catedral, que foi construída no século XIV, passamos pela Grotemarkt, onde tem uma estátua do galo Brabo e finalizamos na beira do rio. No almoço tive a surpresa da chegada da minha irmã e do Rafa e fomos caminhar no Red Light District de Antwerpen e no museu MAS, inaugurado a pouco e que tem uma bela vista da cidade. A noite uma Koningen, cerveja tradicional da cidade, para relaxar.



No sábado pegamos um trem para Brugges, a Veneza do Norte. Que não quer dizer Bruxas como se pensa e, sim, ponte em holandês antigo. Como estava um baita dia, nós e o mundo resolvemos ir a Brugges. Caminhamos pelas ruas medievais pela manhã e ao meio dia fizemos um passeio de barco. Imperdível! Mais legal foi o nosso piloto, um velho lobo dos canais, que contou histórias pitorescas da cidade. Uma delas foi uma comparação que ele fez com Ghent, cidade próxima. Lá ele disse que a atmosfera é diferente, pois tem várias universidades e jovens. Em Brugges só tem uma universidade e com um curso, o de Padre. Mas disse que é um baita sucesso, possui 5 alunos!!



Por voltas das 15 horas pegamos um trem para Ghent a fim de visitar a obra dos irmãos Van Eyck, a Adoração do Cordeiro Místico. O quadro foi finalizado em 1432 e possui 24 painéis. Para quem já viu o filme Caçadores de Obras-Primas com o George Clooney deve se lembrar, pois é o tal quadro que eles vão atrás o filme todo. Ele ficou famoso porque já andou na mão de um monte de gente, os protestantes quiseram queimar, Napoleão passou as mãos, em 1816 o prefeito de Ghent vendeu uma parte, nas grandes guerras foi a vez dos alemães, até o George Clonney, o Matt Damon e seus amiguinhos recuperarem em 1945. Hoje ela está na Catedral de São Bavo.
Depois da visita aproveitamos para comer um chocolate no Leônidas e caminhamos pelo centro de Ghent que estava tendo um festival de rua. O centro é muito legal, cheio de igrejas, torres e na beira do rio têm degraus onde uma galera fica sentada tomando um álcool. À noite voltamos para Antwerpen.



Hoje foi um dia mais tranquilo. Domingo de sol, passamos na feira de final de semana, na frente do Ibis e do apartamento que morávamos, e fomos para o Stadpark caminhar um pouco. Depois voltamos pela Meir até a zona central da cidade que estava tomada de gente, músicos de rua, feiras, briques e tudo mais. No meio da tarde nos dirigimos para a estação, passando ainda no bairro dos judeus para ver as famosas trancinhas dos ortodoxos de Antwerpen.



Às 18:36 nos despedimos da família e pegamos um trem para Düsseldorf. Aí começou a odisséia que daria um outro texto. Resumindo: descemos em Leuven para trocar de trem, só tínhamos 4 minutos. Correria, mas missão cumprida! Entramos num trem para Welkenraedt lotadaço, a asa voando e tivemos que ficar em pé. A sorte que parou em Liege e uma galera desceu. Sentamos! Em Welkenraedt correria de novo para trocar para o trem para Aachen, já na Alemanha. Missão cumprida! 15 minutos depois, em Aachen, saímos correndo para pegar o último trem e vinagre! Chegamos 5 minutos atrasados e tivemos que esperar o outro trem para Düsseldorf. Às 21:51 embarcamos na última perna para o destino final. Foram mais 11 paradas e 1:50. No total foram 5 horas, 4 trens, 3 trocas, 18 paradas, uma câimbra na panturrilha, um chocolate estourado na bolsa da Clarissa e esse texto, mas foi legal! Muito bala! A Clarissa até disse que não foi muita batalha!
Amanhã ficaremos em Düsseldorf, o Esplendor do Reno! Tchüss!