"Como é evidentemente muito dificil escrever a verdade, no interesse dela eu me permiti às vezes ir um pouco além ou ficar um pouco aquém."

Robert Capa (1913 - 1954)

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domingo, 19 de maio de 2013

Dias 18 e 19 - Back in Town

Acordamos em Zanzibar no penúltimo dia de viagem. Ainda deu tempo para uma caminhada pela praça Forodhani, ver a movimentação nas docas e alguns dhow (barcos a vela) já no mar. O calor já estava grande, mas com nuvens escuras no horizonte!
Fomos para o aeroporto por volta da 8:30 e na chegada desabou um mega temporal! Chuva rápida e lá pelas 10 horas embarcamos num ATR 72 da Precision Air, avião grande para a atual conjuntura, com 68 lugares. E o voo foi tranquilo, em apenas 15 minutos estávamos na antiga capital da Tanzânia, Dar es Salaam. Praticamente um voo panorâmico no Oceano Índico. E por falar nele, meu oceano preferido, sempre vale uma visita. Esta foi a minha segunda oportunidade no melhor oceano do mundo e espero que ainda tenham muitas outras!
Em Dar es Salaam não chegamos a sair do aeroporto, passamos por umas 5 verificações de bagagem e passaporte e seguimos o nosso rumo para o sul! Depois de 3 horas chegamos na friaca de Johanesburg. Como já estava anoitecendo, apenas fomos jantar na Nelson Mandela Square e voltamos para o hotel. Hoje acordamos cedo e continuamos a viagem até São Paulo e Porto Alegre!
De tudo que vimos na África, acho que o mais legal foi a simpatia do povo, isso em todos os países que visitamos. Com raríssimas exceções, todos estavam dispostos a te ajudar e muitas vezes queriam apenas cumprimentar e saber como estávamos! Apesar de todos os lugares serem turísticos e não termos conhecido de verdade nenhuma capital (ou ficamos no carro ou aeroporto), acredito que, pelo menos estes países da África, estão preparados para receber turistas! Em nenhum momento nos sentimos ameaçados ou inseguros, muito antes pelo contrário, mesmo com a minha cara de mongolão europeu! Na real, acho que o nosso maior medo foi em atravessar a rua, pois em todos os países a mão é inglesa e tem que ficar ligado para não tomar um buzinaço nos ouvidos!
Idioma? Menos problema ainda! Quase todo mundo fala inglês ou tenta pelo menos! Certamente é mais fácil se comunicar em inglês no interior da Zâmbia do que no Brasil!


E a malária? Ela não atrapalhou a viagem, apesar da neura de colocar repelente a todo o momento e não termos ido a vila do Rio do Mosquito no Lake Manyara! Mas com todas as pessoas que falamos, com excessão da Namíbia que segundo eles está livre da malária, ouvimos para nos cuidar! Mesmo olhando os nativos de bermuda e as crianças nas ruas brincando normalmente! Segundo o Enoq, nosso motora e guia na Tanzânia, a malária é uma "killer machine in Africa"! Ele mesmo já teve mais de 20 vezes e há 2 meses tinha tido novamente! Entretanto, segundo ele, a coisa tem melhorado, mosqueteiros são distribuídos (apesar de alguns usarem para pescar) e os remédios para a cura estão mais fáceis de adquirir, na maioria das vezes de graça! Prevenção? Só o repelente mesmo!
O Pablo, que encontramos em Zanzibar, tomou remédio por um tempo quando estava em Uganda e nunca teve nada! Já uma colega dele também estava tomando o remédio e mesmo assim pegou malária! Foram 3 semanas de tratamento!
Se algum mosquito nos picou? Com certeza, impossível não ser picado por mosquito em 20 dias na África! Agora estamos em quarentena e torcer para que esses mosquitos sejam os mesmos que tem no Cassinero!
Viajar pela África não é barato, na realidade, podemos considerar que é caro! O continente carece de muita infraestrutura e dinheiro para investir em coisas básicas! Vale ressaltar que no planejamento da viagem não tentamos buscar uma alternativa mais barata, como um albergue invés de hotel, um ônibus local invés de uma van ou um trecho de ônibus invés de voo! O pouco tempo de férias e as experiências das outras viagens nos fez ser um pouco cagão na África, mas com certeza existem alternativas mais econômicas.
Com isso tudo, mais uma viagem chegou ao fim. Em 19 dias foram 18 voos, 8 companhias aéreas (várias bem guerreiras), 14 aviões, 7 países, 11 cidades, 17 aeroportos, 5 noites barracas, 4 em Lodge, 9 em hotéis, 4 das 7 maravilhas naturais da África (Kilimanjaro, Migração do Serengeti, Ngorongoro e Okavango Delta), uma das 7 maravilhas naturais do mundo (Victoria Falls), mais de 1.200 fotos, muitos km de estrada de terra e 1 pneu furado!

E o recado final é: Venham para África! Sem medo e com repelente!

Abraços,
Leonardo

Música dos dias: "Guess who just got back today? Them wild-eyed boys that had been away" - The boys are back in town - Thin Lizzy

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dia 9 - Run Kenia Run!



Acordamos hoje em Lusaka na Zâmbia! Sinceramente, nunca tinha imaginado que um dia estaria em Lusaka! E muito menos conhecer todos os países com a letra Z! Menos mal que a Zâmbia hoje é um país que está ficando pra frentex e o Zimbabwe está sob controle!
Entretanto nem conseguimos conhecer Lusaka, tivemos que ir direto para o aeroporto, pois voaríamos para Nairobi às 10:55! Mas ao chegar no aeroporto descobrimos que o nosso voo estava 3:30 atrasado e que faria escala em Lilongwe no Malawi! Bonito! Se soubéssemos antes, tínhamos feito o visto, e quem sabe um diazinho no Malawi!
Nos restou ficar ratiando no aeroporto, a lá Tom Hanks! Bandinha pra cá, bandinha pra lá, 1/4 de chicken no almoço com direito a assistir Caminho das Índias dublado em inglês e nada do tempo passar! Quando saímos do restaurante por volta das 13 horas, nosso voo tinha sumido do painel! Tensão! Fui perguntar na Kenia Airways e a mulher falou que o painel estava com um vírus! Que beleza!
O voo atrasou mais uma hora e saímos somente às 3:15 da tarde! Voo rápido até Lilongwe e ficamos em solo Malauiano por volta de uma hora! Estranho foi um carro que entrou na pista para deixar um galo na escada do avião! Nunca tinha visto isso! This is Africa!!
E por volta das 7:30 da noite (aqui tem mais uma hora de fuso, 6 + que o Brasil) chegamos na terra do Paul Tergat! Não conseguimos ver muita coisa da cidade, talvez amanhã cedo a gente vá dar uma banda pelos pontos mais importantes.
Agora estamos no hotel, mais um estilo Projac, nem parece que estamos na África! Para entrar no hotel tem detector de metais e raio x para mochilas! Mas como diria um sabia africano em inglês precário: "who has ass, is afraid"!
Amanhã vamos cedo para Amboseli com uma Land Cruiser verdinha e quentak! Safari neles!

Abraços,
Leonardo

- Quênia Facts: mais um país que se tornou independente do Reino Unido nos anos de 1960. Famoso por seus corredores de provas de fundo, o Quênia é um país com vários grupos étnicos e possui o maior PIB do leste e centro da África. Os 19 parques nacionais são os pontos mais procurados por turísticas, entre eles o Tsavo, Amboseli e o Maasai Mara. A maior cidade do país (cerca de 3 milhões de habitantes) é a capital Nairobi, que em Maasai, significa Água Fria. Nairobi é hoje considerada uma das cidades mais proeminentes da África, com diversos escritórios de empresas multinacionais e organizações.

- Música do dia: "Nem foi tempo perdido. Somos tão jovens! Tão jovens!" - Tempo perdido - Legião Urbana

- Cerva do dia: Tusker Lager

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dia 8 - Vai Zâmbia!

Acordamos cedo para procurar alguma foto pela cidade. Na realidade o centrinho de Victoria Falls tem uns 4 ou 5 quarteirões e com o sol forte já cedo, não deu para fazer muita coisa!
Almoçamos pizza de novo e às 12:30 partimos rumo a Livingstone, cidade do outro lado da fronteira com Victoria Falls. Tem de cerca de 136 mil habitantes e o nome da cidade foi dado em homenagem ao Galo Mor David Livingstone, missionário e explorador escocês que desbravou o interior do continente africano no século XIX. Numa aventura de mais de 15 anos, atravessou duas vezes o deserto do Kalahari, navegou o rio Zambezi de Angola até Moçambique, procurou as fontes do Rio Nilo, descobriu as Victoria Falls e foi o primeiro europeu a atravessar o lago Tanganica. Cruzou Uganda, Tanzânia e Quênia. Isso tudo a pé, em carros de boi e em canoas. Realmente, o campeão dos galos! E depois dizem que eu que sou louco em vir para a África.
Aduana tranquila e em 30 minutos o motora do ônibus nos deixou no Dumbwa Market, mercado clássico da África! Muita gente, muita cor, muita comida = muitas fotos! Apesar do sol forte, foi palhaçada! Ficamos quase uma hora caminhando pelo meio das moscas e fotografando! De lá partimos para o centro da cidade para visita ao Livingstone Museum! Museu bem organizado que mostra toda a história da Zâmbia, do galo Livingstone e tem até uma ossada humana de 700 ac!





De lá fomos para o aeroporto pegar o voo para Lusaka! Depois da Air Namibia e da Air Botswana, chegou a vez de um voo guerreiro pela Proflight Zâmbia num Jetstream 32 de 18 lugares! Barbosinha! A cabine do avião era aberta e deu para acompanhar a pilotagem! Legal foi ver que faltando uns 10 minutos para pousar tanto o piloto como co-piloto estavam a bangu! Que beleza! Mas deu tudo certo e o pouso foi tranquilo com uma hora de voo!
Agora estamos no Protea Hotel e amanhã partimos para Nairobi no Quênia!

Abraços,
Leonardo

- Zâmbia Facts: é um país sem saída para o mar, antigamente chamada de Rodésia do Nordeste. Os lusitanos tentaram tomar conta, mas foram os ingleses que ficaram aqui até 1964 quando conseguiu a independência. De lá pra cá, tradicional nos países da região, várias guerras civis aconteceram, mas nos últimos anos está mais tranquilo. Lusaka é a capital e maior cidade do país que tem o inglês como idioma oficial e umas 8 línguas reconhecidas, sendo que existem mais de 70 idiomas no país. Em 2010, o Banco Mundial considerou a Zambia um dos países que mais rápido estão reformando a economia! No início do ano eles cortaram 3 zeros do Kwacha Zambiano e esperam crescer mais de 7% este ano! Vai Zambia!!!

- Música do dia: "Long time me no see you Mama, They took me away from you Mama" - Mama Africa - Peter Tosh

- Cerva do dia: Mosi Lager

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dias 6 e 7 - Victoria Falls

Partimos cedo de nossa barraca rumo ao aeroporto de Maun. Por falta de voos tivemos que fazer outro trecho lusitano, algo como ir de São Paulo - Rio de Janeiro com escala em Porto Alegre! Mas tá valendo! Pegamos o voo às 9:15 para Gaborone num ATR 42 da Air Botswana! Rica companhia aérea! Cerca de 1:30 de voo aterrizamos na capital de Botswana e lá estava o diplomata da República Michael Lawson que nos encontrou em uma área restrita do aeroporto! Foram uns 20 minutos de conversa e tivemos que partir para um outro ATR 42 de Gaborone para Kasane a 12 km da fronteira com Zimbabwe e próximo do ponto que se pode ver a fronteira de 4 países: Namíbia, Botswana, Zimbabwe e Zâmbia!
Uma van nos buscou e nos levou para a fronteira de Botswana e passaportes carimbados! Mais 1km em território de ninguém e chegamos na parte do Zimbabwe! Imaginávamos que a tensão seria grande, mas foi tranquilo, mesmo sem ter o visto!
Depois cruzamos a cancela e entramos nas terras de Mugabe.... e dos macacos, pois foi só colocar os pés no país e uns 5 macacos ficaram na nossa volta!
Uma horinha de ônibus e por volta das 3 da tarde adentramos a cidade de Victoria Falls! Para relaxar da correria dos últimos dias fomos surpreendidos pelo Kigdom Resort! Bom para agradar e tranquilizar as famílias em casa, mas prejudicou seriamente a nossa reputação!
O resto do dia foi caminhar um pouco pela cidade e relaxar no hotel! Na real, a sensação que a gente tem é que o hotel está sitiado, pois estamos num pais muito pobre, num mega hotel e com o barulho constante de helicópteros (por causa dos passeios aéreos pelas cataratas)!
Hoje pela manhã levantamos cedo e fomos para as cataratas Vitória, uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo. A Victoria Falls ou Mosi-oa-Tunya (Fumaça que Troveja) fica situada no Rio Zambezi e tem 1,5 km de largura e altura máxima de 128 m. Segundo as contas dos "Zimbabuanos", elas são as maiores do mundo, mas não vale a pena explicar como eles chegaram nessa conclusão! Tivemos sorte que o mês de maio é o da cheia, então estava atrolhada de água.
U$ 30 de entrada e U$ 2,5 para a capa de chuva e lá fomos nós! São 16 "mirantes" que correm paralelos as cataratas, iniciando com a estátua do Livingstone até a ponte do Rio Zambezi que separa o país da Zâmbia! Bom, foi chegar no mirante 4 que a "chuva" das cataratas começou a encharcar a gurizada! Lá pelo 12 já era temporal de novela, ceú azul e água desabando! Foi proteger a máquina e relaxar, pois os tênis e as meias estavam completamente molhados!




Voltamos para a piscina do hotel e o nosso trainee Freedom (funcionário do hotel) nos ajudou a secar os tênis! Em troca dei uma camisa da seleção brasileira de presente! Só faltou o meu galo chorar de alegria!


Caminhamos um pouco pela cidade e por volta das 4 da tarde fizemos um passeio de trem que passa pela ponte Zambezi cruzando a fronteira para a Zâmbia! É de lá que os guerreiros fazem bungee jumping e outras loucuragens. A ponte foi construida entre 1900 e 1905 e a ideia era ser uma das obras da famosa via férrea que iria do Cairo a Cape Town, que nunca foi finalizada. Mais algumas fotos das cataratas e vimos o por do sol.



Amanhã partimos para a Zâmbia! Que beleza!

Abraços,
Leonardo

Zimbabwe Facts: a antiga Rodésia, teve sua independência declarada em Zimbabwe, a antiga Rodésia, teve sua independência declarada em 1965, mas somente em 1980 começou a ser chamada pelo nome atual. O nome Zimbabwe surgiu do complexo de pedra que fica no leste do país, perto da fronteira com Moçambique, o qual pensa-se que constituiu o Primeiro Estado do Zimbabwe, no ano de 1250 e 1450. Ninguém sabe o motivo da cidade ter sido abandonada. A capital Harare fica situada no nordeste do país e nós não iremos visitar. A terra de Robert Mugabe, que está no poder desde que o país se chama Zimbabwe, é conhecida pela alta inflação que em 2009 chegou a 9.000% ao mês. Agora a economia é dolarizada e as notas de trilhões o povo fica vendendo na rua como souvenir. Além do inglês, o Shona e o Ndebele são as línguas oficiais.

Música dos dias: "Every man gotta right to decide his own destiny"- Zimbabwe - Bob Marley

Cerva dos dias: Zambezi Lager

terça-feira, 30 de abril de 2013

Africa Unite!

Hoje iniciamos nossa viagem rumo a África. Em companhia do Thirras, Fábio e Rafael Abrantes cruzaremos o continente da Namíbia até o Quênia, passando por Botswana, Zimbabwe, Zâmbia e Tanzânia.


Vamos em busca da África dos Big Five, do berço da humanidade, das Cataratas Victoria, do Deserto da Namíbia, de Mugabe e Livingstone; do Okavango Delta, de Ngorongoro, Serengeti e Amboseli; dos quase 3.000 idiomas e dialetos, do Kilimanjaro, do diplomata Michael Lawson, dos Maasais e das cores, essas cores que nossos olhos irão tentar registrar através da fotografia.

Convidamos todos a participarem com a gente nos próximos 20 dias de nossa aventura. E como li num blog (http://vemomundo.blogspot.in) enquanto preparava a viagem, na África: Expect the unexpected!